Adolescentes ‘digitais’, como evitar o amor virtual?

Atualizado 12/02/2016 11:02:08 CET

MADRI, 12 Fev. (EDIZIONES) –

O amor romântico, com altas doses de sofrimento está cada vez mais na moda entre os adolescentes. Nesta época de desenvolvimento e de extrema vulnerabilidade, o papel das redes sociais e das novas tecnologias está modelando uma forma de compreender e de estar no mundo entre os mais jovens que, em grande medida, foge da esfera escolar e familiar.

Conforme explica a InfosalusNora Rodríguez, pedagoga e autora de ‘O novo ideal do amor em adolescentes digitais’ (Desclée De Brouwer, 2015), os mais jovens devem aprender a socializar em dois mundos muito diferentes, o real e o virtual, mas, no segundo, por terem menos contato físico e mais emoções, acabam sendo muito permeáveis aos estereótipos, o que os leva aos extremos.

A autora conta que, na atual sociedade digital existem novas formas de compreender o amor, que se integraram ao marketing, como um produto. São crenças que partilham muito rápido através das redes sociais, se associam a obter experiências intensas e que proporcionam um grande prazer.

“É a pesquisa do impacto rápido, um grande banho de dopamina para o cérebro, que se valem de atitudes muito estereotipadas em relações breves, explosivas e passionais”, explica Nora Rodriguez, diretora do programa ‘Happy Schools, Neurociências e educação para a Paz’.

A pedagoga defende que por volta dos 9 anos é possível educar a afetividade, através de estratégias e o desenvolvimento de forças para que os mais pequenos possam conseguir estar motivados e se sentir bem de uma forma sustentada e não agudo e intermitente, o que, a longo prazo, resulta em frustração. Caso contrário, na puberdade e na adolescência, a idealização romântica, a exposição à privacidade perante os estranhos através das redes sociais e o contágio emocional continuarão a ser o mais procurado nas redes sociais.

“Com a dopamina, que é liberado nestas situações sociais se consegue um prazer rápido para o cérebro, uma estimulação intensa que leva à dependência POR estas relações breves e prazerosas”, observa a autora. Quando as crianças atingem os 12 anos de idade podem entender que o amor é unir paixão com intimidade mais reflexão.

“O amor é um estado de fascinação, temos que fazer com que se lembrem de quando se sentiram fascinados, explicar que isso é um estudo, um fascínio que começa e termina com”, acrescenta.

Para Rodríguez educar a afetividade é absolutamente necessário, já que nos esquecemos de fazê-lo e, atualmente, conta mais o currículo acadêmico dos afetos.

Educar as emoções e como progridem foi deixado de lado, há que explicar o que acontece desde que a emoção lhes inquieta, como se transforma em sensações corporais, como o calor e como o comportamento é uma reação à emoção, pelo que há que ensiná-los a refletir”, adianta.

Além disso, a autora afirma que educar a afetividade constitui um meio de prevenção da violência de género. Quanto mais estereótipos e relações mais rápidas estabelece conexões entre a posse, o ciúme e a violência se desenvolvem e o amor idealizado se torna uma droga que faz sentir os adolescentes que não podem deixar de fazer isso.

“Desde que as crianças têm de 5 anos pode-se ensinar a gerir as emoções e não esperar o contratempo da afetividade que chega mal e tarde e se confunde com a educação para a sexualidade”, diz Rodríguez, para quem é básico ajudar os mais pequenos a ter ligações positivas com os outros.

Há que educar desde a tenra idade a sexualidade e a afetividade. Entre os 12 e os 17 anos, ocorre uma grande mudança físico e antes se devem começar a trabalhar as forças emocionais entre os mais pequenos.

As estratégias que se podem utilizar para educar a afetividade são, segundo a autora, a construção de uma idéia pessoal do amor baseada mais no fascínio que os estereótipos homem/mulher; para que aprendam a conhecer os sentimentos e emoções que emanam de suas atividades cotidianas para saber ler em sua interioridade e estar mais atentos às suas percepções; ensiná-los a projectar-se no futuro para que imaginem como eles se veem nele, o que inclui a relação de casal.

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